O Equilíbrio da Vida (TAO)


O excesso de luz cega a vista.


O excesso de som ensurdece o ouvido.

Condimentos em demais estragam o gosto.

O ímpeto das paixões perturba o coração.

A cobiça do impossível destrói a ética.

Por isso, o sábio em sua alma

Determina a medida de cada coisa.

Todas as coisas visíveis lhe são apenas

Setas que apontam para o Invisível.



(Tao-Te King, Lao-Tsé)




sexta-feira, 30 de julho de 2010

ENTRE OS ANDES E VENEZA


Foto de Edward Weston.


Não tinha data marcada
você entrou na minha vida
entregou-me todo seu ser
sem pensar conseqüências
se um momento de prazer
matasse aqui a esperança
no coração que escorrega
na aragem desde tempos
imemoriáveis, quando ali
não havia algo esperança
de eu me imaginar vadio
quebrado, invariavelmente
só, tanto assim que estive
entre a surpresa de te ter
e a vontade de me ocultar
no vazio que me sugeria
me enroscar em caracol
voltar para o útero nadas
ficar entre os Andes e o
cais do porto em Veneza
para lá e para cá a somar
sua falta, na falta que faz.

(Beto Palaio)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Madrugada em Desamor...




















Quando a madrugada chega
meu pensamento se agita
A insônia me consome
Corpo e mente
Minha cama vazia
Minha solidão...
E a madrugada avança
companheira em minha dor
Como viver com tanto desamor?

numa noite
em que soluço veneno
deitei-me nessa cama enferrujada
costas marcadas a fogo
lágrimas nao saíam
mas entravam em meus olhos
negras em desafogo
quem sou eu
senão a insônia do passado?

E nessa agonia que me aflige
Os olhos já cansados do escuro
ardendo em lágrimas
que teimam neles se alojar
O passado a rondar
como um fantasma
a pertubar meu sono inquieto

mesmo que sejam palavras doces
recitadas por mim, criança
para lá do meu tempo
o EU irrequieto
que pinta paredes a pastel
o seu peso em ti
livre de demônios
em mera folha de papel...

Doces palavras em belos versos
não espantam os medos que de mim se acercam
O meu eu criança não encontra conforto
nesse vazio que me habita
sombras de um passado já vivido
Abraça-me, ao invés disto, com seus fortes braços
E acalenta meu sono mal dormido


Ianê Mello  / JC Patrão 



Diálogo Poético a duas mãos -Colaboradores: IanêMello e J.C.Patrão

terça-feira, 27 de julho de 2010

Vamos nos inspirar nessa bela imagem e fazer um belo diálogo poético.

Peço aos colaboradores e amigos que não tem participado,que participem.

Vamos lá???



Gosto...
De abrir a janela e sentir o cheiro da terra...
Gosto de todos esses prazeres simples, como seguir o voo da borboleta...
Gosto de ser banal, discreta...
Não gosto, contudo, que esqueçam a minha música....
Porque isso é eterno...


Marta



Porque sempre que se sentava ao Piano
e os seus dedos percorriam por aquele branco e negro,
soltando sons tranquilos, recordava a sua infância
e o tempo da sua liberdade...livre,
como qualquer borboleta na beleza magnifica da sua Simplicidade!



Flor



Algo que pare ela era singular
Suave e doce, como um despertar
Doce... como manhã de Primavera
Qual sonho, devaneio ou quimera!




Fernanda



quero me olhar no tempo
ouvir a música dos anos
ser tocada pelo vento.

do piano surgirão as notas
que se verterão em flores
para a poesia de pedra
que é feita na cidade.

da mulher, próximo ao piano
virá o aroma da terra
que abandonei no campo
hoje caminho sobre o cimento.

como a mulher que toca ao vento
eu olho o tempo, viro-me
temo ver o tempo face a face.

porque do tempo, da tua música
virão os passos descaminhados
pelos túneis urbanos e solitários
da cidade que quer ser vida.




Sandrio Candido


estou em outro tempo, longe.
guardo comigo um saco de idades.
o mundo não tem meus passos
só me ouve
quando acordo borboletas
com minhas cantigas
amanhecidas de azul.



Luciana
As Cores do Simples
do Belo, do Singelo
O vento agita meus sonhos
em desalinho
Desejo-o tanto
Na melodia mais Sincera
Quero-o junto a Mim
Mas segue a Moira
Na Asa da Borboleta
De longe o avisto
E Espero.

Lou Albergaria
Dialogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello (pintura), Marta, Flor, Fernanda, Sandrio Candido,Luciana, Lou Albergaria

Escuridão e Luz

 



















Na escuridão de minh'alma
habita meu lado sombrio
Aquele que escondo,
que aprisiono a sete chaves
e na calada da noite me invade
Ele chega arrastando seu peso, seu penar
Correntes de bronze em seus pés atados
Ele habita na noite escura,
no vazio da solidão,
tirando-me o sono e a paz

Esse sete que me persegue
Sete cores
Sete Mares
Sete Notas
em que me tocas...
como um brilho escuro
de veludo negro
toque suave...
de uma armadilha
teu segredo... 

Segredo que não se pode revelar,
mas a sete chaves resguardar
A escuridão tem seus encantos
É nosso refúgio para a dor,
sem máscaras, sem sonhos
A realidade sem retoques
Sem o brilho das cores
Somente nós, dentro e no fundo
de nós mesmos
entregues à solidão que assombra


libertação de nós próprios
na fina linha
que nos separa
da profunda dor nocturna
e do fogo de artifício
de tua respiração aprisionada
no horizonte de meu dia
que morreu na praia cinzenta 

Linha tênue
Dois opostos que se atraem
Escuridão e luz
Na escuridão a dor vivida em sua intensidade
Na luz a esperança de um melhor porvir
Perder-se nessa prisão que oprime
Não, não é a solução
Venha comigo, me dê sua mão
Vamos juntos em busca da Luz
Não tenha medo, guardemos nossos segredos

onde apenas me rendo
a teu murmúrio sem limites
em que sou guloso de serenidade
ansioso da simbiose das mãos
sente esse suor ansioso
voa através de intenso fumo
sopra e vê-me sem sombra
mesmo tens certeza
que contemplas algo perigoso... 

A sombra não me assusta
Pois sei a luz buscar, quando necessário for
Só vivendo nossa sombra ,sem medo
Podemos encontrar nossa verdadeira luz
A serenidade das mãos
te aplacará o medo da solidão
Confie em mim, venha ...
Sei o caminho para sair das trevas
e não te deixarei só a luz dosol 

apenas necessito de um dolmen
para o velho corpo descansar
venenos transpirar...
de outrora recônditos instintos
que agora me dizem
que os negros famintos
são apenas aqueles
que em teus olhos brilham...


Ianê Mello/Jc Patrão 



Diálogo Poético à quatro mãos - Colaboradores: Ianê Mello/Jc Patrão .


O meu amigo e parceiro de poesia, JC Patrão, pode ser lido  no blog   Dark  (http://sombradedeus.blogspot.com/) 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Anjo Negro



Nem luz, nem escuridão
Apenas uma sombra que jaz em minha vida
como um fantasma a assombrar-me
Um dia foste humano, de carne e osso
Hoje não passas de um espectro
vivendo no lado escuro e sombrio
Busca esconder-se no vazio da solidão....


Anjo negro de um só dia...
luz que escapa entre teus dedos
negra... mas ilumina teu sangue...
vermelho em sintonia...
sempre que elevo o olhar
...fitas o túnel de minha alma
que absorve tua ilusão...

E nessas horas somos um só
Alimentando a ilusão de comunhão
Mas sou luz e tu és escuridão...
Minha alma não podes penetrar
com a frieza do teu olhar
As trevas habitas, negro anjo
Não precisas de luz para sobreviver
Minha imagem te ofusca com meu brilho
E ficas cego frente a luz que ilumina as trevas

de meus sentidos apurados
me guiam na ausência de tua cor...
meu olhar de gelo se derrete
em lágrimas azuis que reflectem
o mar plano de minha vida
uma azia de sentimentos
silêncios são meus lamentos
em que descreves tuas certezas
minhas dúvidas divinas...


Oh, meu amor não vês
que o negro da escuridão me assusta
e que dela fujo,não de ti
Teu medo é maior que teu desejo
Ao sentir a frieza de teu olhar se derreter
e com paixão e calor querer-me tanto
Tua vida na escuridão pode ter fim
Juntando-se a mim verás o sol
e teus olhos se acostumarão a beleza da luz
Não te isoles em teu silêncio do sepulcro
enquanto minha voz grita teu nome:
" Dark Angel"


em várias linguas predilectas...
meu peito repleto
de sentimentos de babel
de medos e desejos
delineados no papel...
tua poesia apaga minha sombra
minha prosa
te escurece na penumbra
um encontro liminar
de cores e negras energias
ficarei preso nesse limbo
mas promete-me...
que durante a noite
de mão dada
num reencontro saudosista
ocasionalmente tocaremos
na escuridão
que agora é tua...






Ianê Mello/ JC Patrão


Diálogo Poético a duas mãos -Colaboradores: IanêMello( poema e imagem 1) e J.C.Patrão( poema  e imagem 2)

sábado, 24 de julho de 2010

Mulher Nua

Vamos nos inspirar nesta bela imagem do pintor Degas e dialogar?



Pintura de Degas



Fito seu corpo nu
com doçura
Suas costas lisas,
sua pele branca e macia 
Seus cabelos castanhos


Você nem se apercebe
do meu olhar apaixonado
Ao desembaraçar seus cabelos levemente
Parece uma pintura
que meu olhar aprecia


Modelo perfeito
de formas curvilíneas e precisas
Fosse eu pintor neste momento
e a retrataria numa tela
com suaves tintas em cor pastel 


Suaves como as linhas
de seu corpo desnudo
Belo em sua pureza singular
Como uma virgem
que provoca ao olhar
 pensamentos  e desejos
que mal posso confessar.




Ianê Mello


... e a canção continua


Entro em teu dia e começo a sonhar,
já posso sentir tuas mãos carinhosas,
foram feitas somente pra me amar
beijo a tua silhueta majestosa!...

Nas águas salgadas do teu mar,
o sol doura tua pele dengosa!
A noite chega, recebo o teu luar,
sem demora mergulho em tua rosa!

Tudo faz sentido. Tenho o teu amor,
nele não há ônus e nem penhor!...
Soa a tua voz aos ouvidos... contagia!...

Quero ser feliz no teu litoral,
vieste pra mim na hora triunfal!
Tenho mais energia para o novo dia!...


Machado de Carlos


Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T2168201



A pele é mais
quando acariciada pelos cabelos
despenteados de paixão
eriçados

colho cada um e finjo
que não me observas

sou cada vez mais tocada
quando você me pinça
me tece
me desembaraça
em sua tela.


Lara Amaral




Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello( pintura e poema)-Machado de Carlos - (Soneto),Lara Amaral.



sexta-feira, 23 de julho de 2010




Espaço Curvo e Finito

Oculta consciência de não ser,

Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui. Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

José Saramago




Proponho esse lindo poema de José Saramago para nossa apreciação e inspiração.
Bem como essa linda mandala.
Vamos dialogar?


Em minha finitude e inconsistência
Me perco em caminhos mal traçados
Nas ausências, desventuras e no fracasso
Tento desatar meus próprios nós
e, aos poucos, me refaço
Busco um ponto de chegada na partida
Um remanso que me aplaque a alma
Merecido descanso de uma mente aflita
Das cinzas que me tornei, então renasço
Tal como a fênix um dia renascida
Das pedras construo um abrigo
e nele me protejo do cansaço
Das flores guardo o intenso perfume
Dos espinhos me desfaço
Montada em bravo cavalo
Pego a minha vida num laço
As tristezas vão-se pelo ralo
numa nova esperança que renasce
da semente que brota em meu ser
Consciente de mim mesma estou
Tornando possível o sonho de ver crescer
a mulher que em mim se formou



Ianê Mello


Muitas vezes somos aquilo que deixamos de Ser.
Ausência.
Onipresença ao inverso
Sinergia para menos
Utopia no sentido utópico de inalcançável
O que nos torna vulneráveis
Impenetráveis.

A Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida
De Amar e ser Amado.
Perdemos a capacidade de nos defender
Do medo de Amar
Entregar-se, deixar-se afundar na neblina da fumaça
Ser tragado pelo Inconsciente
Compartilhar o melhor e o pior de Nós.

O Bem e o Mal dentro da Gente
Irmãos Siameses
Que não nos livra da escolha
Nem da necessidade de Perdão.


Lou Albergaria in PESSOAS E ESQUINAS


Diálogo Poético - Colaboradores: Ianê Mello(mandala e poema), Lou Albergaria (poesia)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A MULHER SEM ROSTO


Mulher que esconde o Rosto
em demasiada abstração

Às vezes pura
Às vezes fogo

Demência em forma de canção.

A mão do artista que te revelou
quis proteger sua identidade
dos Curiosos
que precisam condenar
aquilo que conhecem pouco.

Eu não te conheço nada
mas já amo cada traço
que minha imaginação
não consegue alcançar.

Lou Albergaria


Para Vino Morais, artista plástico cuja ARTE eu amo alucinadamente.
Seu blog: http://vinoartes.blogspot.com/


Tela: Vino Morais


terça-feira, 20 de julho de 2010

FELIZ DIA DO AMIGO!!!!!


Quero aproveitar o dia de hoje para desejar a todos os amigos que conheci através deste blog MUITA Paz, Harmonia, Equilíbrio e grandes inspirações para podermos continuar nessa Missão linda e atordoada de captar a vida, as emoções, os conflitos e, através das palavras, conseguirmos expressar todo o nosso SENTIMENTO DO MUNDO...

Também para não perder a viagem, quero pedir desculpas ao nosso colega 'blogueiro' Mateus Luciano pelo nosso "Mortal Combat" de ontem, mas sinceramente peço para que não saia deste blog, pois é um espaço muito especial em que conheci pessoas e poetas maravilhosos e extraordinários com uma sensibilidade absolutamente singular. Penso que NÓS DOIS exageramos e infelizmente eu não consigo 'engolir sapo'. Eu sei que faz parte da evolução espiritual "oferecer a outra face", mas eu tô muito, mas muito longe de alcançar esse NIRVANA. Acho que ainda me faltam umas cinco ou seis encarnações ou até mais para atingir esse patamar da evolução cármica. Sendo assim, peço que releve e que você também reflita que não agiu de modo apropriado. Então, partimos a fatura ao meio e fica tudo certo.


E para celebrar esse dia tão especial trago para vocês um texto do Gibran Khalil Gibran, um poeta a quem amo de paixão e espero que gostem também.


Desculpem a todos por qualquer aborrecimento!


Beijos!!! FELIZ DIA DO AMIGO!!!!


"Meu Amigo


Meu Amigo, não sou o que pareço. O que pareço é apenas uma vestimenta cuidadosamente tecida, que me protege de tuas perguntas e te protege da minha negligência.
Meu Amigo, o Eu em mim mora na casa do silêncio, e lá dentro permanecerá para sempre, despercebido, inalcançável.
Não queria que acreditasses no que digo nem confiasses no que faço – pois minhas palavras são teus próprios pensamentos em articulação e meus feitos, tuas próprias esperanças em ação.
Quando dizes: “O vento sopra do leste”, eu digo: “Sim, sopra mesmo do leste”, pois não queria que soubesses que minha mente não mora no vento, mas no mar.
Não podes compreender meus pensamentos, filhos do mar, nem eu gostaria que compreendesses. Gostaria de estar sozinho no mar.
Quando é dia contigo, meu Amigo, é noite comigo. Contudo, mesmo assim falo do meio-dia que dança sobre os montes e da sombra de púrpura que se insinua através do vale: porque não podes ouvir as canções de minhas trevas nem ver minhas asas batendo contra as estrelas – e eu prefiro que não ouças nem vejas. Gostaria de ficar a sós com a noite.
Quando ascendes a teu Céu, eu desço ao meu Inferno – mesmo então chamas-me através do abismo intransponível, “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada”, e eu te respondo: “Meu Amigo, Meu Companheiro, Meu Camarada” – porque não gostaria que visses meu Inferno. A chama queimaria teus olhos, e a fumaça encheria tuas narinas. E amo demais meu Inferno para querer que o visites. Prefiro ficar sozinho no Inferno.
Amas a Verdade, e a Beleza, e a Retidão. E eu, por tua causa, digo que é bom e decente amar essas coisas. Mas, no meu coração rio-me de teu amor. Mas não gostaria que visses meu riso. Gostaria de rir sozinho.
Meu Amigo, tu és bom e cauteloso e sábio. Tu és perfeito – e eu também, falo contigo sábia e cautelosamente. E, entretanto, sou louco. Porém mascaro minha loucura. Prefiro ser louco sozinho:
Meu Amigo, tu não és meu Amigo, mas como te farei compreender? Meu caminho não é o teu caminho. Contudo juntos marchamos, de mãos dadas."
(Excertos de “O Louco”)

Lou Albergaria

Esperança

Passei, por aqui,
para descansar.
Enquanto espero,
refaço a plumagem,
aguardo um vento favorável
ao meu abrir das asas,
Devo, de novo, voar!

Contemplo o céu azul,
o meu lugar.
Observo as nuvens vagarosas,
Trilhas, por entre as quais
devo passar.

A minha esperança
Está em um campo florido,
Rios límpidos e calmos,
Em que eu possa descansar.

E, então,
Espalhar o meu canto,
Descansar.
Entre flores, por onde piso,
Quero plantar todos os sorrisos,
Abrir as minhas asas
E, simplesmente, voar!
Otelice Soares


A DENGOSINHA

Toda Capitu peca.
Ardente beleza.
Em divindade.
Mas tinha de ser.
Ela lá e eu cá.
Pois a dengosinha
Na luz da manhã
Não era minha.
Nem haveria de ser.
Pois ela inventava.
Nua inteirinha.
Linda e charmosa.
Um jeito de ser.
Beleza só dela.
Em ledo descaso.
Na primitiva moda.
Às pétalas doar.
Inteiramente nua.
Tal Eva no paraíso.
E eu o que faço?
Imagino dela ser.
Todinha minha.
E neste imaginar.
Sonhei acordado.
E acordado estou.
Sem a dengosinha.
Nem ninguém.
Que a substitua.
Nesta terra.
De ninguém.


(Beto Palaio)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pedrada (do verbo Pedrar)



Ali está ela!
Sentada sobre a pedra
Na calçada.
Descalça
Sob a pedra que a consome
Consumida diariamente
Com_pulsão.

Não restará pedra sobre pedra
Para_a_nóia desse escombro
Que um dia foi castelo.

Jairo Cerqueira




" Diálogo Poético "- Colaboradores : Jairo Cerqueira

domingo, 18 de julho de 2010

ÚLTIMO TANGO EM PARIS

Gostaria de convidá-los para ler um texto que escrevi sobre esse filme extraordinário no link:


http://nostalgico-allstar-vermelho.blogspot.com/2010/07/o-ultimo-tango-em-paris-por-lou.html

Trata-se do blog NOSTÁLGICO ALL STAR VERMELHO 'especializado' em abordar temas relacionados ao Cinema, mas com um caráter mais nostálgico, como o próprio nome do blog já diz.

É um excelente blog; muito divertido e inteligente criado pelo FOWL - um jovem que escreve com muita ironia e sagacidade sobre filmes mais 'antigos'-. O problema é que a noção que ele apresenta de 'antigo' é um pouco diferente da minha. Com toda certeza devido a nossa diferença de faixa etária. Mas adoro conviver com esses jovens , mesmo que virtualmente, pois me servem de inspiração, sem falar no tanto que aprendo com eles.

Espero que gostem do texto.

E também convido-os a assistirem ao filme, pois é uma aula de cinema ministrada por BERTOLUCCI e o eterno MARLON BRANDO.

Beijos!!!

Lou Albergaria

Instinto Maternal



Sozinho  e com o corpo ao relento
pareces um menino sem rebento
Olhos fitos no vazio da angústia
Corpo como um feto não nascido
O que esconde nesses olhos  que não veem?

Que segredos quererá compartilhar
Será que ao ver à sua frente os olhos de mulher
esboçaria reação alguma em seu olhar?
Ou a indiferença permaneceria
nessa noite escura e fria

Corpo inerte e sem vida
jogado numa cadeira
de uma casa
de um lugar qualquer

Abandonado, sozinho
perdido em seu caminho
sua mãe poderia ser...
Te embalaria nos braços
te envolveria num abraço
sem mais tempo a perder.

Doce menino franzino
que homem puderas ser?



Ianê Mello



Uma homenagem  à bela pintura do querido amigo Vino Morais.
http://vinoartes.blogspot.com/
 Diálogo Poético - Colaboradores: Vino( pintura, Ianê Mello( poema) 

sábado, 17 de julho de 2010

PROPOSTA POÉTICA A PARTIR DA PINTURA


Conta-nos em prosa ou verso o que essa pintura lhe sugere, instiga, revela...ou esconde...
Tela: Olaf Hajek

Tristeza

— Bom dia, senhora tristeza!
Tu que me acompanhas todos os dias,
Onde andará a tua amiga alegria?
— Quem sabe está no riso da princesa!

Acostumei com o frio da ventania!
O teu olhar inspira-me certa beleza!
Espero a noite, e, tenho certeza.
Será noite longa e cheia de agonia!...

O tempo com seu manto vagaroso,
Delirá este mundo penoso,
Levando-me a uma glória sem igual.

Deste orbe miserável direi adeus,
Estarei entre as estátuas do Eliseu;
Será o meu Brado Universal!

Machado de Carlos

Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T1618945


Quem disse que se foi
o pássaro?
Quem disse que prostrado
poderá, um dia,estar?
Se há, dentro do seu coração,
Natureza eterna, a flutuar?

Quem pode tombar a vida,
Quando ainda há cores, nela,
a cantar,
E, ao redor dos passarinhos,
Ainda o canto, em flores a perfumar?


Otelice Soares

Morri de cansaço...
Voei por entre o nevoeiro denso da floresta e encontrei-lhe o coração..
Apaixonei-me pela serenidade que ali vivia e deixei de voar....
Derrubaram a floresta um dia, mataram-me também...
Quem sobreviveu e me encontrou....
lembrou-se do meu voo infinito pelos céus...
Voltei a voar, não com as

minhas asas, mas alimentando o amor e a beleza das flores....


Marta
***
Se pensas ver Morte
Como se enganas...
Os olhos nos enganam
ainda mais
quando só sabemos olhar
com a Razão.
O real muitas vezes é apenas ficção
uma realidade criada
por algum espelho
côncavo ou convexo
na retina da alma
em que a imagem se faz trocada
invertida,
por isso
transfigura e assombra.
Tantas cores vivas
não ornamentam a Morte.
É só vida que pulsa
vibra, agita
Nutre de seiva
flores, insetos
Beijos...
Um jardim de delícias!
Cismaram, entretanto, colocar um espelho
bem a nossa frente
e estamos vendo ao contrário...
Só isso.
Não se exaspere, amável amigo,
vou retirar o espelho
para que possas me ver melhor.
Lou Albergaria


Dialogo Poético - Colaboradores: Lou Albergaria (pintura, poesia), Machado de Carlos, Otelice Soares, Marta (poesias)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A passagem do tempo

Pintura de Salvador Dali

quando a poesia lambe o pulso
o ponteiro do relógio
se dissolve


Geraldo de Barros


Os dias se tornam noites
As noites se tornam dias
A insônia assume letras
que no papel irradia

Ianê Mello
***
Tem gente que põe sentido no Tempo
bem na hora que já não dá mais tempo
pra fingir que não existe Tempo.

A alegria caminha triste.

Hoje não é dia de falar de sapo
que não sabe
ou não pode aprender a voar.

Hoje é dia de anoitecer bem cedo
pra não lembrar
de tudo que se perdeu
desintegrou no ar.

O vento soprou forte a semente
pra depois das montanhas
E talvez nunca chegue até o Mar.

Hoje aprendi que voar é preciso
Navegar, pode ser,
Mas Viver é ainda muito mais.

Põe sentido em mim
Que Cê também vai Vê. 

Lou Albergaria



Poema do meu Livro: PESSOAS E ESQUINAS

Diálogo Poético - Colaboradores: Geraldo de Barros, Ianê Mello (poema e pintura) e Lou Albergaria

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tempo

Serpentes margeiam meu ser
hora por um lado,
hora dentro de meu ser
serpenteando os ponteiros
passando como lunáticas
sapateando sobre os ponteiros
como um conta-gota
buscando cada segundo
inevitável de conter
bravamente vejo o meu tempo,
passar sem dó de meu tempo
Oh! tempo cruel
que esqueceu de me dizer
que passaria,
e que,só então, eu perceberia
o velho sofá,
a luz apagada
as coisas desarrumadas
pobre ser,
quem sabe?
que possa
um dia ser eu ou você!
então pense no seu tempo
no seu deserto a desbravar. 

 Mateus Luciano



dedicado ao amigo do passado. video imagens colhidas da tv Globo musica autoria Mateus Luciano Mateus Luciano

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A nova ordem mundial.

Body Art


de onde virá a palavra
de que canto carmim virão as ordens
que homem dirá essa tal palavra

onde ontem serás amanhã
que nota tocará meu salvador
que agudo som infame ecoará

como ouvirei o som
uníssono de sua voz
seus gritos serão melodias

nobre afortunado aquele
que se curva a meu pai
debaixo da pedra

acima do ar
abaixo do mar
em todo canto aqui estás


Mateus Luciano






Do Japão virá o NOVO AEON
Os cabelos longos negros
roçando minha pele Nua
Sua arrepiada

Viaja nesse solo de guitarra, Meu,

O Tao da Filosofia Oriental
Metamorfose Alternativa
Sociedade de costumes
transpira transgressão
magia, loucura
Utopia e Paixão
Alucina
Faz delirar...

Tô delirando, sô, deixa estar

Aquarius Liberta!
Lá vem o Sol
lamber toda a hipocrisia
do Universo
tostar a Malícia
fazer evaporar o que limita.

Vem, Super Nova,
Novo Aeon
Fecunda a Semente
dessa gente
não mais tão inocente.

Um dia não haverá mais Medo ou Guerra.

A Paz há de imperar
tesa e bela
Todos os estilos
Uníssono Som
Você, melodia pura,
juntando Zé Ramalho e Sepultura
na Metallica consciência do efêmero
sem medo da Morte
te quero dedilhar
tocar essa canção...
tão Mágica

O desequilíbrio da Razão!

Sei que não devo querer
mas quero o que devo Saber
Eu Quero Saber Você!


Lou Albergaria


Para Patric Mendes, japoneis conhece-te a ti mesmo

do blog ANARKILOUCO: http://anarkilouco.blogspot.com/
.
É URGENTE
.
É urgente abrir novos caminhos
Acender novas estrelas
Descobrir novos horizontes
Inventar outras cores
Penetrar outros espaços
Abrir fendas no tempo.
É urgente quebrar o silêncio e,
passo a passo,
habitar outras noites...
É urgente criar novos versos
Pensar novas metáforas
Buscar novas forças
Inventar novas artes
e partir sem medo e sem demora
para onde nasce o sonho
e, de novo, esculpir a vida.
.
Albino Santos
.

DIÁLOGO POÉTICO - Colaboradores: Ianê(Imagem), Mateus Luciano (poema), Lou Albergaria (poema), Albino Santos (poema)

domingo, 11 de julho de 2010

Flamenco- Maria Pages

PARABÉNS A ESPANHA PELA CONQUISTA DA COPA DO MUNDO! e PRINCIPALMENTE POR SUA INESTIMÁVEL CULTURA!!!!!

Cadê?



Viste, por aí, passar um canto?
Saiu daqui apressado,
Cruzou a porta alongado,
Dizendo buscar o mar.

Alguém viu, por aí, um canto
Magnânimo, embevecido,
Cheio de encantos coloridos,
Lançando flores, colhendo sorrisos?

Quem viu o canto encantado,
Amigo das almas, acalento dos prantos,
De mãos macias e doce cantar
Que vive buscando corações afagar?

Tragam-me, aqui, este canto bordado,
Em flores guardado,
Em rochas incrustado,
Buscado, rasgado,
Nos corações dos poetas.


Otelice Soares





sábado, 10 de julho de 2010

A MENINA DAS TRANCINHAS


Este poema foi inspirado por uma menina de no máximo três anos que passou por mim, à hora do almoço, de um desses dias qualquer, em uma rua próxima ao meu trabalho, na região central de Belo Horizonte. O poema escorreu de mim imediatamente ao vislumbrar suas encantadoras trancinhas e seu jeitinho de andar com uma das mãos segurando a cinturinha...


Menininha,

troca uma trancinha por um verso?


- É claro que não, poetinha louca!


Minha trancinha é de verdade

guardada pela inocência

protegida pela esperança,

enquanto seu verso é de mentira

carrega muito mais passado que futuro

até o nunca que jamais aconteceu.

Ele vive na realidade do sonho

naquilo que quase ninguém quer mais
imaginar, nem saber.


Eu não imagino Nada pois eu vivo tudo.


Meu passado de tão pequeno

é mais leve que uma pluma.

E futuro na minha idade

também não pesa

pois nem sequer me pertence.


Não possuir concede liberdade

de Ser, Estar e Existir.


Você, poetinha, está condenada

por seus versos

a viver entre vários Mundos.


Por isso, não se encontra em nenhum deles.


Eu, ao contrário, só tenho a infância como Mundo

Encontro, então, abrigo

aconchego, ternura.


Eu posso tudo!


Só preciso brincar de acreditar

No que você não consegue mais...


É isso que dá querer Saber Tudo!


Aprende, poetinha, com essa menina que hoje te usa:


A gente só deve saber o suficiente

que não nos deixe perder a Fé.


Lou Albergaria
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